Julho 7, 2026
Iso Olhos
Semaglutida e visão: o que se sabe sobre os riscos oculares
Os medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic®, Wegovy® e Rybelsus®, transformaram o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Recentemente, a Anvisa passou a monitorar relatos de eventos adversos oculares possivelmente associados ao uso da semaglutida. Esses eventos são considerados muito raros. Ainda assim, o tema ganhou atenção dos especialistas. Essa atualização reforça a importância do acompanhamento médico e oftalmológico durante o tratamento, especialmente para pessoas que já apresentam doenças oculares.
A Anvisa publicou um alerta recente. No entanto, os estudos ainda não comprovam que a semaglutida cause esses problemas. Até agora, as pesquisas mostram apenas uma possível associação. Por isso, novos estudos continuam em andamento.
Neste artigo, você vai entender quais são os principais achados relacionados à visão, quando é necessário procurar um oftalmologista e quais cuidados ajudam a preservar a saúde ocular durante o tratamento.
O que é a semaglutida e por que ela ganhou tanta importância?
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Além disso, ajuda a controlar a glicemia e favorece a perda de peso. Por esse motivo, é indicada principalmente para pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade.
Esses benefícios já foram demonstrados em diversos estudos. No entanto, como acontece com qualquer medicamento, seu uso também pode estar associado a efeitos adversos, inclusive alguns relacionados aos olhos.
Embora rara, achados oculares entraram no radar da Anvisa, expondo a outra face do medicamento que revolucionou o tratamento do diabetes e da obesidade
Em junho de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre um evento adverso considerado muito raro relacionado ao uso da semaglutida: a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (NOIANA).
Em outras palavras, essa condição acontece quando o nervo óptico recebe menos sangue do que o necessário. Por isso, pode acontecer uma perda súbita da visão. No entanto, esse evento é considerado muito raro.
A Agência Europeia de Medicamentos avaliou os estudos disponíveis. Depois disso, a Anvisa analisou essas informações. Por isso, decidiu incluir esse risco na bula da semaglutida.
É importante reforçar que:
- o evento é considerado raro;
- a maioria dos pacientes não desenvolverá essa complicação;
- ainda são necessários novos estudos para confirmar a relação direta entre a medicação e a doença.

Quais alterações na visão podem estar associadas ao uso da semaglutida?
Além da neuropatia óptica isquêmica, pesquisadores investigam outras alterações oculares que podem ocorrer durante o tratamento.
Piora temporária da retinopatia diabética
Pessoas com retinopatia diabética podem apresentar uma piora no início do tratamento. Isso acontece porque a glicemia pode cair rapidamente. Depois, a tendência é que o controle da doença traga benefícios.
Esse fenômeno já era conhecido em tratamentos intensivos para diabetes e não significa necessariamente que a semaglutida cause danos permanentes à retina.
Os especialistas destacam que o controle adequado do diabetes continua trazendo benefícios importantes para a saúde ocular ao longo do tempo.
Neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIANA)
Atualmente, a NOIANA é a principal preocupação dos órgãos reguladores.
Embora rara, ela pode provocar:
- perda súbita da visão;
- redução do campo visual;
- diminuição permanente da capacidade visual em alguns casos.
Pesquisas sugerem que pessoas com determinadas características anatômicas do nervo óptico podem apresentar maior predisposição, mas essa relação ainda está sendo estudada.
Outras alterações descritas na literatura
Além disso, alguns estudos descreveram alterações raras na visão. Entre elas, estão a coriorretinopatia serosa central, os escotomas e alterações na mácula. Na maioria dos casos, houve melhora após a suspensão do medicamento.
A semaglutida pode causar olho seco?
Embora não seja um efeito colateral clássico, alguns pacientes relatam sintomas compatíveis com olho seco durante o tratamento.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- sensação de areia nos olhos;
- ardor;
- desconforto ocular;
- visão que oscila ao longo do dia.
Esses sintomas costumam ser leves e podem estar relacionados a fatores como:
- menor ingestão de líquidos;
- redução do apetite;
- episódios de náusea;
- presença de diabetes, que por si só aumenta o risco de olho seco.
Felizmente, na maioria dos casos, medidas simples, como boa hidratação e uso de colírios lubrificantes indicados pelo oftalmologista, costumam ser suficientes para aliviar os sintomas.
Quando procurar um oftalmologista?
Por esse motivo, quem utiliza semaglutida deve manter o acompanhamento médico regular e procurar avaliação oftalmológica sempre que perceber qualquer alteração visual.
Os principais sinais de alerta incluem:
- perda súbita da visão;
- piora rápida da visão;
- manchas escuras no campo visual;
- visão embaçada persistente;
- dor ocular associada à redução visual.
Caso haja suspeita de neuropatia óptica isquêmica, o paciente deve procurar atendimento médico imediatamente para investigação adequada.
O acompanhamento oftalmológico faz diferença
O diabetes aumenta o risco de doenças nos olhos. Por isso, quem tem a doença deve fazer consultas oftalmológicas regularmente. Assim, é possível identificar alterações logo no início.
Por isso, exames oftalmológicos periódicos são fundamentais para identificar precocemente alterações na retina, no nervo óptico e na superfície ocular.
O acompanhamento ajuda o paciente a reconhecer sinais de alerta. Além disso, permite esclarecer dúvidas e acompanhar mudanças na visão.
O que os estudos mostram até o momento?
As evidências disponíveis indicam que existe uma possível associação entre a semaglutida e alguns eventos oculares raros, especialmente a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica.
No entanto, os pesquisadores reforçam que:
- ainda não há comprovação de relação causal;
- novos estudos estão em andamento para esclarecer esse possível risco;
- os benefícios do tratamento continuam sendo relevantes para muitos pacientes quando a medicação é utilizada com indicação médica.
Por fim, a decisão sobre iniciar, manter ou suspender o tratamento deve ser feita caso a caso e sempre conduzida pelo médico responsável.
Cuidar da saúde ocular também faz parte do tratamento
O uso da semaglutida trouxe avanços importantes no controle do diabetes e da obesidade. Ao mesmo tempo, as informações mais recentes mostram que alguns eventos oculares muito raros merecem atenção e acompanhamento adequado.
A melhor estratégia continua sendo unir tratamento médico, acompanhamento oftalmológico e atenção aos sinais do próprio organismo. Alterações na visão nunca devem ser ignoradas, independentemente da causa.
No ISO Olhos, acreditamos que a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para preservar a visão em todas as fases da vida. Se você utiliza medicamentos para diabetes ou obesidade e percebe qualquer mudança na sua visão, agende uma avaliação oftalmológica. Um acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença para a sua saúde ocular.